Junto a
rastros que tecem arte e obra literária, sinto cada gesto do livro pulsar na
pele e na alma; parece que meu próprio coração subentende, em cada palavra, a
presença viva de quem o escreveu. Quero ver-te, preciso beijar-te, mas o vento
dissipa teus rastros. Habitas na fase de uma orquídea rara, onde meu corpo
ainda não consegue tocar. Sigo caminhos que se perfazem, leitos que inventam
novas margens, e meu coração, paciente e esperançoso, acompanha o movimento das
distâncias. Averiguar cada espaço povoado que a espera, ademais, é uma baita fonte
de Gênese.
As nuvens
guardam segredos que não alcanço, o céu curva-se sobre rios que abraçam
oceanos, e cada passo no escuro, em estágio prolongado, carrega a promessa de
reencontro junto ao farol. Em ‘subentendido - Sky of Love’, sinto que cada palavra
desfrutada é perfume, cada lacuna é ponte, e todo encontro possível é uma
travessia entre corpo, alma e emoção; cada linha escrita desta obra se
transforma em mão que guia, voz que convida, luz que revela o lado escuro da
lua nua quando é dia no sol.
Este registro é um convite a
percorrer os caminhos invisíveis do amor, a sentir a paciência da intensidade desejável,
por descobrir a beleza nobre que se oculta entre o vento, a luz e a melodia do
momento. Quem se permitir mergulhar nesta fruição encontrará o êxtase de amar e
ser amado, entre o afago das mãos, a distância e o horizonte, perceberá que nos
gestos da poesia, cada palavra, é ponte, viagem ou retorno, que, ao final, pode
ser a arte de meu Amado Pai a nos conduzir por este mapa de sensações, sustentando o gosto pela
vida, quando a biosfera baixa a radiância do presente.
Vinícius Almeida Moraes

